Epah! Só me apetece é dizer asneiras… Procurar num dicionário asneiras novas, para dizê-las também. Aaahhhh!!! Mas porque é que o mundo não é perfeito? Porque é que não sabemos respeitar e apoiar as pessoas que amamos a fazer aquilo que elas acham que irá fazê-las feliz? Caramba, eu quero ser feliz, onde quero, como quero, quero lá saber do que é ou deixa de ser sensato, ninguém sabe o dia de amanhã! Porque duvidam das capacidades alheias de lutar pelo que querem?
Agora mudem isso tudo para a minha família vs eu. Pois é. Eu VOU para Portugal. É sensato? Depende do ponto de vista. Será se eu visar o que o meu coração me diz, que é que lá está a minha felicidade, a minha noiva, a minha amante, o meu anjinho, o meu bebé e o meu baby (tudo pessoas diferentes). Será, se eu considerar que é lá o berço da cultura ocidental, por mais que hoje em dia os EUA teimem em mandar nisto tudo. Não será, se olharmos para as facilidades de ser sustentada pela mamãe, estudar e não me preocupar se vai haver comida na mesa, por saber que vai sim, claro, a super-mamãe trata disso. Não será, se olhar para o facto de que quase toda a minha família está aqui, e “blá blá blá”, a família é que vai me apoiar sempre, que vai cuidar de mim. Mas eu ponho as coisas numa balança imaginária, e pesa muito mais a minha promessa a mim mesma de voltar o mais rápido possível, e tratar do futuro tipo assim… no futuro! Sim, vou acabar a escola. Como? Logo se vê. Sim, vou ter o que comer. Como? Depois resolvo. Uma coisa de casa vez. Ai e já tens onde ficar? Sim, e também tenho que me dê de comer, em vários sítios, nenhum deles permanente, mas no fundo, o que é permanente neste mundo? As pedras, e pouco mais, e mesmo assim, com o tempo pedra vira areia.
Pronto, não sou perfeita, nem sempre tomo as decisões mais acertadas para todos, mas não sei agradar a gregos e troianos. Menti? Sim, para proteger. A quem? A mim, a quem me rodeia, que importa, menti, sou falsa, BUUHUU deal with it. Nunca mentiram, não? Eu somente disse que ia ficar mais tempo do que aquilo que planeava, para poder realmente ir quando planeava. Caso contrário, corria o risco de ver uma passagem aérea já paga com a volta para Portugal ir pelos ares, sem mim. E aí, dava em maluca, e sei lá o que faria comigo mesma… Ou me trancava em casa a comer desalmadamente até virar uma baleia encalhada, ou cortava os pulsos, ou mergulhava no chão de cabeça. Ou sei lá, matava alguém, lembro-me bem do momento em que esse pensamento fez o meu cérebro sorrir, muito embora o meu psicanalista não tenha ligado nenhuma a esse facto. Ninguém pediu para verem escolas para mim, cursos de Inglês de ano e meio, e obrigarem-me a arranjar desculpas que nada tinham a ver com a realidade, tipo “é muito caro” ou “para sair a meio do ano não vale a pena”. Sim, porque sempre foi mais do que óbvio que eu ia, só não disse que utilizaria a volta da minha vinda, e sim que ia trabalhar para juntar dinheiro para ir, o que demoraria mais tempo, mas nunca escondi que ia, duvidaram, AZAR!
Ufa, já me doem os pulsos. Desculpem lá por mentir, nem sabia que tinha esse poder, prometo não o utilizar muitas vezes… Aliás, sei de gente que de olhar pra mim sabe que estou a mentir. Onde é que eles estão mesmo? Ah, pois é, em Portugal…