O sonho maluco que acabou às 6 da manhã e me incomodou o sono… Wednesday, Jul 11 2007 

       Estava deitada com o Nuno na cama dele, quando ele me dá um txitxo para fazer. Quando acabo, ele por algum motivo tem que sair do quarto, e entraram os pais dele, que conversam e a mãe confessa que tem saído. Eu enquanto isso, continuo deitada na cama, a esconder o txitxo que estava no chão e a rebolar pra lá e pra cá, à espera ou que falassem comigo ou que o Nuno voltasse. Entretanto já passa da uma e eu tenho que ir para casa, começo a arrumar as minhas coisas e a pensar em como é que vou para casa, em Lisboa. O último barco é às 2:00, e o ultimo autocarro já passou. O Nuno dá-me boleia só até a uma esquina na Arrentela e eu vejo que tenho que arranjar maneira de ir para casa sem contar com a ajuda dele. Peço a um amigo que me leve a Cacilhas, mas, como não tenho txitxo pra fumar, ele se recusa e se despede de mim. Peço a um nigga que lá estava, que me diz que, se eu puser gasolina, leva-me lá sem problemas. Entro no carro para o banco de trás, aonde vai o Dotchi e duas miúdas quaisquer. Alguém reclama por não haver espaço no carro, mas não posso fazer nada e ignoro. Pomo-nos a andar, e paramos num café, onde compro um bollicao para mim e a minha mãe começa a atacar as gomas, e acaba por comer um pauzinho gigante de 1,10 euros. Saio porque me avisam que ele já está a por gasolina, (o café do nada transformou-se em posto de gasolina porque no meio do sonho lembrei-me que o carro precisava dela) pôs 3 euros, e eu lhe disse que pusesse antes 10, e passei-lhe a nota de 10 para a mão. Entretanto , estava cheia de dinheiro, deixo 15 euros no bolso (10 foram para a gasolina) e escondo o resto no sutien, com medo que me roubem, lembrem-se, não sei quem é que me está a dar boleia. Continuo preocupada com as horas, o ultimo barco é às 2:00 horas, como já disse, e o meu relógio marca as 18:30, e por isso imagino que seja 1:30 e fico preocupada, e aviso que se perder o barco eles terão que me levar até casa de carro. Andamos mais um bocado, e no meio das ruas de Lisboa saímos todos do carro e começamos a andar a pé, e é quando reparo que o Iuri também está no meio da malta. De repente passa um carro da polícia, o pessoal se assusta e um deles começa a fugir. Eu fico a olhar atentamente para eles, têm a cara pintada de branco e azul, e uma t-shirt azul que, entre muitas coisas escritas, diz MIRC e algo como patrulha antinegros ou assim… Olham para todos nós, vêem que somos muito para arranjar confusão, e vão embora, depois de me gritar uma palavra que não me lembro. Continuamos a andar, e eu sigo o primeiro que fugiu para dentro da praça de um prédio (aquelas que têm hortinhas e coisas assim e são rodeadas pelos prédios). Duas miúdas me seguem até uma escadinha que só leva à porta de algum apartamento, volto para trás, desço umas escadas que davam para o meio da praça, vejo um homem passar, pulo silenciosamente para trás dele, e quando ele vem a voltar, assusto-o (buh!) e peço desculpas logo a seguir, e ele diz que não há problema, estou desculpada.

       E então, acordo.

De ti pra mim Sunday, Jul 8 2007 

Contemplo a magnificiência do teu ser, não sei que te dizer, por onde começar, tudo em ti é inexplicável, provocas-me prazer, e esse teu sorriso é mesmo incomparável, completas o meu ser, és uma deusa disfarçada, toda a gente te quer, sou um sortudo por te ter… Amo-te, que mais posso dizer?

Olá Friday, Jun 22 2007 

Não sei por que te escrevo isto, só sei que preciso fazê-lo. Nem que seja apenas para organizar as idéias.

Não me lembro bem como entraste na minha vida. Nem tão pouco o pouco que significavas para mim naquela altura. Era eu uma velha criança com mania de adulta. Tinha uma liberdade semi-total das oito da manhã às oito da noite, e tudo fazia para aproveitá-la, quase sem fronteiras. Foi uma época de descobertas, de sensações, de iniciações. Tinha acabado de descobrir o sentimento idiota que é o amor. Estava finalmente a sentir-me querida e necessária no meu grupo de amigos. E aquilo que sentia com tanta intensidade, hoje faz parte apenas de um pequeno livrinho de recordações, cheio de pó e de páginas em branco, esquecido algures nos baús de armazenamento da casinha estranha que é a minha cabeça.

Sei que me lembro de ti como um extraterrestre. Como algo completamente novo para mim. Falavas de situações e sensações que me causavam curiosidade, pudor e vergonha. Vergonha essa, que a partir dos 11 aninhos fui aprendendo a esconder, a camuflar. E tu puxavas por mim. E eu, em cima do orgulho de uma jovem adolescente, desprezava-te. Sabia o que querias, e, por poder tê-lo em qualquer momento que quisesse, não tinha interesse.

O tempo foi passando, nossas vidas se afastaram e fomos seguindo caminhos opostos, que às vezes se cruzavam a caminho da grande casa que é para mim a Arrentela. E, depois de amadurecer mais um bocadinho, de me interessar pelas grandes sensações “proibidas” da vida, fomos passando a conversas mais profundas. Mas detalhadas. Mas quase sempre sobre o mesmo assunto. E tornavas a puxar por mim. E eu tornava a desprezar-te. Para mim, eras um cômico palhaço erótico. Uma pequena distração a caminho do vazio da minha cama.

Juro-te que não me lembro bem como reentraste no meu dia a dia novamente. Sei que, aos poucos, foi crescendo em mim a necessidade de estar na tua companhia. Relaxar, fumar uns charros, rir, e tentar desprezar-te quando puxavas por mim, algo que era tão fácil para mim. Eras a forma de me afastar do núcleo de pessoas que andava a envenenar-me. E, agora que penso nisso, talvez a diferença tenha sido que tinhas uma namorada. E andavas com aliança. Ou seja, sabia que não devia te ter. Talvez isso fosse parte do que me atraía em ti. Talvez tenha sido o facto de mudarmos de assuntos e de eu ter descoberto em ti interesses e conhecimentos mais alargados, que me faziam querer ouvir-te. E, desta vez, foi-se tornando impossível para mim desprezar-te. Dizia a todos que para mim não tinhas importância, que eras passageiro, quando na verdade (hoje sei reconhece-lo) queria era convencer-me disso, para evitar o sentimento de culpa adjacente à situação de “ser a outra”, completamente nova para mim. Até ali, tinha sido capaz de dizer não às tentativas de outros comprometidos. E, quem me conhecia, bem me avisava: Patrícia, vais agarrar-te a ele. E eu negava, agarrava nas minhas coisas e ia a um tal barco sinistro, para estar contigo. E assim foi, até ao momento dramático que foi a nossa separação de meio ano e meio mundo.

Nesse período, continuava a querer convencer-me que não significavas nada para mim. Que eras apenas mais um na lista. Disseste-me uma vez que eu “batia-me de valores”. Não era esse o caso. Eu realmente acreditava que não teríamos nada quando eu voltasse. Sei que a cabeça não queria que estragasses a relação que já existia, supostamente forte, por minha causa. Ou pelo que quer que fosse. E para isso, dizia-me que tanto fazia se essa relação existisse ou não, tu e eu nunca iríamos passar dali. Até que cheguei. Estavas solteiro e não me largavas. E eu pedia a mim mesma para não me precipitar, para organizar a minha vida com calma, descobrir afinal quem é que iria cumprir a sua palavra e me ajudar nos primeiros momentos, e quem me falharia. E tive demonstrações positivas e negativas nesse ponto. Sei que falava contigo sobre morarmos juntos. Como amigos, camas separadas. E era o que queria naquele momento. Ser eu a cuidar de mim, do meu espaço, da minha cama vazia. Mas tu não desistias. E eu, passados quinze dias, já não fui capaz de te resistir. Era a saudade do que já conhecia de ti e do que ainda estava por conhecer.

Não penses que estava apenas a tentar fazer-me difícil. Estava a ser difícil para mim mesma, a criar regras (ou, como diria a minha mãe, a cagá-las), distorcidas do que seria a minha vida. Que eu seria sozinha no mundo, independente e livre. Que não devia satisfações a ninguém. De repente, já não sabia me ver sem ti, não sabia imaginar-me numa cama vazia e fria. E veio então o que acho que foi a semana mais sombria da minha vida. Quem me dera esquecê-la, ser capaz de ignorá-la. Mas a verdade é que ela existiu. E que, aquilo que em outros quinze dias acreditava estar a construir contigo, ruiu, de uma vez. Uma bomba atômica à qual sobrevivi contra a minha vontade. Que me pediste tempo, e me deixaste sem chão, sem ar. Acabou por ser uma forma involuntária de vingança (como já te disse) da mulher a quem fui roubando o namorado. Talvez tenha me tornado mais forte. Eu acho que me obrigou a ser mais racional nas minha emoções. E a ver que, num segundo, tudo pode cair. O pior foi estar na incógnita. Não saber se podia ou não contar contigo como parceiro na minha vida, como presença constante. E ter que raciocinar, analisar, outras soluções para a minha vida.

De qualquer maneira, o facto foi que nem tudo corre mal, e que eu consegui arranjar um espaço para mim, graças à boa vontade e circunstâncias favoráveis à minha situação. Que fui forte o suficiente para não me deixar ir completamente abaixo, para saber ver as coisas boas que a minha vida ainda me oferecia. E, de repente, pude novamente imaginar-te como uma presença constante na minha vida, com a relação que estivesses disposto a ter comigo. E que hoje sabemos qual é.

Hoje sei que estou contigo. Que estás comigo, para o que der e vier. Que posso contar contigo para me aquecer a cama, quando a tua mãe deixa. Ou o pai… E tenho saudades tuas todos os segundos que passo a um oceano de distância de ti. Do teu toque, do teu cheiro, de cada pintinha que tens espalhada pelo corpo, de cada cicatriz que tens marcada, ou mesmo apenas da forma como olhas para mim e me fazes sentir completa, amada, feliz.

Amo-te. E hoje posso te garantir o amanhã. E depois, não sei. Obrigada por existires na minha vida, e, por favor, não saias dela.

Amo-te, e é só.